Domingo, Julho 19, 2009

Parcerias Sócio - Empresariais, porquê?

O Final do século XX evidencia a disposição de agentes privados, públicos e do terceiro sector de lutarem contra a exclusão social. Nos países desenvolvidos, os antagonismos sociais postos em termos de luta de classes foram dando lugar a um processo de mobilização em prol de grupos e comunidades afastados ou inferiorizados em relação aos centros de poder. A consciencialização de segmentos actuantes no centro dos sistemas económico, social, político e cultural têm vindo a promover a busca de acordos e parcerias para a realização de programas ou projectos comuns com um forte conteúdo social, suplementando acções de governo, com o objectivo de incorporar formas mais plenas do ponto de vista económico e social, aos segmentos marginalizados por insuficiência financeira, desvantagens culturais ou raciais, deficiências físicas, assim como por questões ambientais. O foco das parcerias sociais deve ser, além da colocação em prática de novas iniciativas e da colaboração entre instituições - neste caso das IPSS - e empresas, a efectiva capacidade de contribuir para mudanças de políticas públicas que tenham carácter meramente assistencialista, ou seja, apenas geradoras de efeitos efémeros. As parcerias sociais, enfrentam o desafio de quebrar o isolamento e a exclusão social, através de acções concertadas, que visem a promoção e a partilha de novas regras e ideias que permitam superar a separação das lógicas económicas, sociais e políticas, enquanto visão aglutinadora das diferentes políticas sectoriais contemporâneas de convivência social. A responsabilidade sócio - empresarial, tem recebido cada vez mais atenção, não só pelos estudos científicos, como também pela prática e adesão das muitas empresas comprometidas com as metas do milénio.
“…A 31 de Janeiro de 1999, no decorrer do Fórum Económico Mundial, o Secretário-Geral das Nações Unidas - Kofi Annan, desafiou os líderes de negócio a participar na iniciativa internacional do Global Compact.
Esta iniciativa visa, em conjunto com as Nações Unidas, os trabalhadores e a sociedade civil apoiar 10 princípios nas áreas dos direitos humanos, do trabalho e do ambiente. Para cumprir os seus objectivos o Global Compact tem proporcionado facilitação e sensibilização através de vários mecanismos de diálogo e aprendizagem, de estruturas locais e projectos….”
[Annan, Kofi; 31 de Janeiro, Nações Unidas]
Neste contexto, definir o planeamento estratégico da LAHDB, obriga-nos a efectuar uma análise do passado e do presente desta IPSS, enquanto ferramenta de análise de projecção de resultados que se procuram no futuro – a continuidade na promoção do bem-estar e nas respostas sociais ao doente/utente do HNSR e comunidade em geral. Neste sentido foram estabelecidas para 2009, algumas linhas orientadoras de forma a tentar levar por diante os objectivos desta Instituição, junto de quem mais necessita, a qual continuará a promover a articulação entre os diferentes parceiros, serviços e conselho de Administração do Hospital de Nossa Senhora do Rosário.
A carência socioeconómica latente na sociedade e as crescentes demandas por parte de quem não possui meios para adquirir as tão importantes ajudas técnicas ou o apoio ao doente ostomizado, obriga a que este tipo de instituições (IPSS) intervenha no sentido da procura de respostas e na adequação de meios, que, no caso concreto da LAHBD presta o seu apoio junto de uma unidade hospitalar. Desde 2006, temos vindo a adquirir um conjunto considerável de equipamentos, os quais têm sido colocados ao serviço do doente/utente. A título de exemplo podemos referir, as cadeiras de rodas (75 unidades) as quais já chegaram aos Países dos PALOP, camas articuladas (5 unidades), colchões anti escaras (21 unidades), o que representa um enorme esforço financeiro, face ao curto espaço de tempo em que os adquirimos bem como o apoio prestado a 663 utentes ostomizados, desde 2004. De salientar o bom trabalho conjunto com algumas das empresas fornecedoras de bens e serviços, não esquecendo contudo e não menos importante, a quotização dos nossos associados. É com base nesta metodologia que a LAHDB tem desenvolvido nos últimos anos o seu trabalho de intervenção social.
Consciente da dimensão sócio-humanitária do seu trabalho, este só tem sido possível graças à participação activa das parcerias com as muitas entidades privadas e públicas, numa atitude de cidadania participativa junto da Comunidade.

Bibliografia
· Annan, Kofi; 31 de Janeiro 1999, Nações Unidas, www.un.org

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Cidadão Ostomizado (Re) integrado, uma realidade

Formular, pensar e sugerir formas de promoção do bem-estar social do portador de ostomia, são desafios diários do Núcleo de Utentes Ostomizados da Liga dos Amigos do Hospital Distrital do Barreiro. Construir uma corrente de solidariedade, e dela usufruir é uma prioridade. Desta forma, esperamos que todos, absolutamente todos, em especial os indivíduos ostomizados, possam usufruir deste projecto contribuindo com sugestões, comentários e críticas para o seu aperfeiçoamento. O projectista desta ideia, Eng Spencer Ferreira [Associação de Ostomizados do Rio de Janeiro] ele próprio um cidadão ostomizado e titular dos direitos de autor do “WC para ostomizados”, foi privilegiado por ter tido a oportunidade e a inspiração necessárias ao desenvolvimento deste importante projecto. A LAHDB ao envidar esforços para a implementação em território nacional, mais propriamente na Cidade do Barreiro, tem a satisfação de, mais uma vez, colocar-se na vanguarda do pensamento social, promovendo respostas concretas, eficientes e eficazes. A reestruturação efectuada ao plano original, permitiu dotar este equipamento, “WC Polivalente” com as condições funcionais adequadas ao cidadão portador de deficiência. Portugal está em terceiro lugar no “ranking” dos países promotores das boas práticas dedicadas ao cidadão deficiente, em especial ao ostomizado: Núcleo de Utentes Ostomizados, Kit de 1ºSocorros p/a Ostomizados, Cidadão Ostomizado (Re) integrado e SIMEVU (Sistema integrado de mensagens escritas e de voz ao utente) promovem uma melhoria sem precedentes na qualidade de vida e bem-estar do cidadão ostomizado, caracterizando-se por ser respostas sociais inovadoras concretizadas graças aos parceiros sociais que acreditam no trabalho social desenvolvido por esta organização. É o caso do Hospital Nossa Senhora do Rosário, que como parceiro principal da LAHBD foi convidado a participar no Projecto Cidadão Ostomizado (Re) integrado. Tudo indica que muito em breve esta unidade se torne a primeira unidade hospitalar em Portugal e no mundo a adoptar o “WC Polivalente”. Ao Concelho de Administração enviamos as maiores felicitações por abraçarem mais uma causa social, Obrigado. A 12 de Maio a LAHDB completou 17 anos ao serviço do doente/utente/familiares do HNSR e comunidade em geral. Que melhor presente poderia ter no seu Aniversário? Aos nossos parceiros, Hospital Nossa Senhora do Rosário EPE (Conselho de Administração), Eng Spencer Ferreira [Associação de Ostomizados do Rio de Janeiro], Liga Ostomizados de Portugal, Álvaro Covelo & Pinto; Câmara Municipal do Barreiro; Doublet – Portugal; Lopes & Marques e Restaurante Verde Minho.
Bem Hajam.

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