Sexta-feira, Abril 04, 2008

XIV SEMANA SOCIOLÓGICA

XIV SEMANA SOCIOLÓGICA
ACORDO ORTOGRÁFICO DA LINGUA PORTUGUESA:
problemas linguisticos ou politicos
Para mais informações consultar o link ou contactar Professor Teotónio R. de Souza
http://www.gloriainacselsis.com.pt/sociology.htm

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Nanque, o Investigador de Cocós


O Alferes era calmo. Afável, prazenteiro, nunca se irritava. Naquela tarde porém explodiu. É que constatou que as valas estavam a ser utilizadas como retretes.

Reuniu o pessoal e, no mais puro vernáculo de caserna, descompôs o Pelotão, furriéis, cabos, soldados, brancos e negros… Que vergonha! Pois não haviam assistido à valente piçada que ele sofrera, na semana passada, quando o Major Eléctrico , visitara o Quartel, e criticara tudo, desde a limpeza das panelas ao comprimento do seu bigode!? Findo o discurso, logo o Nanque se apresentou, oferecendo-se para descobrir os malandros dos cagadores. Protegido do Cabral, como seu feiticeiro privativo, ele era detestado por quase todos, que não suportavam os banquetes de macaco, o ar arrogante de grande senhor, e o seu estatuto privilegiado, com dispensa de operações, patrulhamentos e sentinelas.

Embora o Alferes nada tivesse respondido ao seu oferecimento, o Nanque iniciou de imediato a investigação, e assim munido de uma vara, andou até ao fim do dia, mexendo, decompondo, analisando e cheirando os vários corpos de delito.

Já noite apareceu, e muito sério, expôs os resultados:- Dezanove cocós de soldados, todos fulas, quatro por duas vezes, e um por três.- Cinco cocós de brancos, dois do furriel Amaral e três do cabo Monteiro.Agradeceu o Alferes tão preciosa informação. Então ele à laia de conselho – conclusão - , acrescentou, ufano:- Agora, Alferes, é mandá-los para a prisão!

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O Alferes, o piano e a Professora


** Para os mais desatentos o Prof Jorge Cabral é o Senhor de barbas ok?

O Alferes, o piano e a Professora

Em Maio de 71, o apanhanço do Alferes excedera todos os limites. Os Amigos da CCAÇ 12 haviam partido e ele, com os seus vinte e três meses de mato, refinara a excentricidade, espantando agora os periquitos de Bambadinca.

Naquele dia resolvera visitar a Professora. Com que intenção, não sei. Líbido? Mera curiosidade? Alguma aposta? Talvez de tudo um pouco… e se viesse à rede… pois então…Bateu à porta e logo a amarelenta dama, que parecia saída de um filme de Fellini, lhe franqueou a entrada, num sorriso de Admiração.- O Senhor Alferes de Missirá! Entre!-

Venho pedir conselhos sobre a Escola. (... Depois blá, blá, blá, da didáctica, dos fulas, dos mandingas, da Guiné antes da Guerra…)- E que fazia o Senhor na vida civil? - perguntou ela.Nem hesitou o Alferes. Com um ar sonhador, apontou o piano que ali jazia ao canto, e disparou:- Pianista!!!

Quase pulou a Professora. Brilharam-lhe os olhos e, como uma criança, bateu palmas.- Vai tocar! Vai tocar!Subitamente, ao Alferes, deu-lhe a pressa e encaminhou-se para a saída.- Hoje não posso. Venho cá outro dia. E até lhe prometo um recital.Cá fora, vociferou consigo próprio.- Porra! Sou duro de ouvido. Não sei uma nota. Porque não lhe disse que era massagista?

A partir desse dia, assim que chegava ao Cais de Bambadinca, enfaixava a mão direita e punha o braço ao peito, para passar diante da Escola, com receio que a dama o fizesse cumprir a promessa.Já em Julho o Polidoro chamou-o.

A Professora perguntara-lhe se o Alferes estava melhor.Coitado, um tiro na mão. E sendo pianista… ainda pior… já não há recital.-

Cabral, você está doido! Que história é essa? Do tiro, do pianista, do recital?- Boatos! Invenções! Delírios! Coitada da Dona Violete. Imaginou!


As Estórias Cabralianas estão transcritas neste blog com a autorização do seu autor ProfºJorge Cabral, ao qual deixo aqui expresso o meu muito obrigado por nos permitir a partilha das suas Estórias.

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