Sexta-feira, Abril 04, 2008

Nanque, o Investigador de Cocós


O Alferes era calmo. Afável, prazenteiro, nunca se irritava. Naquela tarde porém explodiu. É que constatou que as valas estavam a ser utilizadas como retretes.

Reuniu o pessoal e, no mais puro vernáculo de caserna, descompôs o Pelotão, furriéis, cabos, soldados, brancos e negros… Que vergonha! Pois não haviam assistido à valente piçada que ele sofrera, na semana passada, quando o Major Eléctrico , visitara o Quartel, e criticara tudo, desde a limpeza das panelas ao comprimento do seu bigode!? Findo o discurso, logo o Nanque se apresentou, oferecendo-se para descobrir os malandros dos cagadores. Protegido do Cabral, como seu feiticeiro privativo, ele era detestado por quase todos, que não suportavam os banquetes de macaco, o ar arrogante de grande senhor, e o seu estatuto privilegiado, com dispensa de operações, patrulhamentos e sentinelas.

Embora o Alferes nada tivesse respondido ao seu oferecimento, o Nanque iniciou de imediato a investigação, e assim munido de uma vara, andou até ao fim do dia, mexendo, decompondo, analisando e cheirando os vários corpos de delito.

Já noite apareceu, e muito sério, expôs os resultados:- Dezanove cocós de soldados, todos fulas, quatro por duas vezes, e um por três.- Cinco cocós de brancos, dois do furriel Amaral e três do cabo Monteiro.Agradeceu o Alferes tão preciosa informação. Então ele à laia de conselho – conclusão - , acrescentou, ufano:- Agora, Alferes, é mandá-los para a prisão!

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