Uma não, quatro. Emprestado ao Pelotão, havia um Cabo velhinho, o Carvalho, que se correspondia com catorze. A bem dizer não fazia mais nada. Logo pela manhã, montava a banca e escrevia, escrevia…Acabada a comissão, Carvalho distribuiu as madrinhas.
Das quatro que me calharam, três duraram pouco, o que não me admirou. Para cada uma, inventara uma estória, assumindo diferentes personagens e construindo cenários, nos quais a realidade da guerra surgia transmutada, mais parecendo um antigo romance de cavalaria.Uma porém aguentou.
Muito jovem, interna num Colégio alentejano, confessou que quando não percebia o que eu queria dizer, perguntava à Professora de Português.Foi da Professora que recebi uma queixa, endereçada ao senhor Comandante, S.P.M. 5358, denunciando a falta de pudor do correspondente.
Que havia sucedido? Na altura, logo após a visita do Amoroso Bando das Quatro (1), uns violentos ardores urinários atingiram metade do Pelotão, deixando-me preocupado, até porque o médico do Batalhão, o Drácula, castigava quem se apresentasse sofrendo daqueles males.Talvez por essa preocupação e não sei a que propósito, tinha inserido na missiva a expressão “onírica gonorreia”.Respondi à Professora, dando-lhe toda a razão, o atrevido já fora castigado. “Calcule Senhora Professora que a dita deixou de ser onírica, e agora é bem real!”.O certo é que deixei de ter Madrinha de Guerra!Mas acreditem ou não, quando passo na Cidade alentejana, onde ela estudava, sinto sempre os tais ardores…Stress literário pós- venéreo?
Jorge Cabral
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