por Jorge Cabral (Estórias Cabralianas)
Aos Domingos vestíamo-nos à paisana e dávamos longos passeios à volta da parada, imaginando praças, avenidas, ruas, adros de igreja e até estações de comboio. Depois entrávamos na Cantina e invariavelmente pedíamos Um fino e tremoços.Não havendo tremoços, triplicávamos a cerveja, não sem o Pechirra, o nosso motorista, explicar a importância do acompanhamento em falta, o qual segundo ele possuía um monumental efeito afrodisíaco, pois… e lá contava uma delirante estória das suas proezas sexuais.
Só os soldados africanos e algum adido metropolitano periquito, ainda o escutavam, embora o seu calão portuense fosse dificilmente traduzível.
Uma vez o bazuqueiro Sambaro anunciou, que possuía umas bagas suma tremoço tão boas que um homem podia estar toda a noite… Achei piada. À basófia tripeira respondia a basófia fula… Afinal as diferenças não eram assim tão grandes…O certo é que Sambaro foi buscar as tais bagas, e calhou ao Sousa experimentar.
Ao fim de uma hora resultou. Passadas quatro horas continuava a resultar. Oito horas depois o Sousa uivava de dor, e suplicava-me a sua evacuação. Que fazer?
Reuni com os furriéis. Podia eu lá evacuar um soldado com aquele motivo ?! Que escreveria na mensagem? Ataque de te…?
Pragmático o Amaral sentenciava:
- O que sobe, desce - e o Branquinho acrescentava:
- Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe.
- E quanto ao Pires inventava:
- A curiosidade não matou, inchou o gato.Tomada a decisão, o pobre do Sousa aguentou três dias, como um herói.Quando terminei a comissão, deixei-lhe proposto um louvor “porque durante setenta e duas horas suportou com estoicismo a dor resultante de fogo interno, devendo ser apontado como exemplo da virilidade lusitana"...
Parece que o Polidoro (2) não concordou. Enfim, injustiças…
Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2006
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